À DEUSA DOS “NEMETA” (MUNIDIS, NIMMIDES, NEMETONA).
A palavra “Nemeta”, nominativo plural de “Nemeton”, termo gaulês para “santuário”, clareira em uma mata, bosque ou floresta, ás vezes marcados com pedras erguidas, geralmente está associado na visão céltica à certas divindades. A deusa gaulesa Nemetona é o exemplo mais evidente. Os estudiosos dos povos qua habitavam a penísula ibérica antes e durante a ‘romanização’, mais especificamenteo território que hoje é Portugal, geralmente identificam a deusa Munides, cujos registros epigráficos se relacionam mais a àrea habitada pelos Lusitanos, e Nimmides ou Nimmidus (neste caso, presumi-se um deus), por sua vez mais relacionada aos Callaecos. A récita que se segue pode ser realizada, como um hino ou uma prece antes da entrada no espaço sagrado, ou em um bosque, durante um rito.
Em Gaulês:
DEWAĪ “NEMETON”.
O tōu kinges widwābi
ardwowidōs doubotalamōsk
bitās pritā awelās
ak wildā dōlās
dēwā nemetī
addamsses (addasses?) litou enson
sena balksamāk
ialonriganyā
medyolani magesos
sena balksamāk
addamsses (addasses) litou enson
in atignīyou weswāk
Pronúncia aproximada:
Ó tu quíngues vidvábi (uiduábi)
ardvovibôs (arduóuibôs) dubotalamôsk
bitás pritá avelás (auelás)
ak vildá (uildá) dôlás
dêva (dêua) nemetí
ad’damʦes (ad’daʦes?) litú enson
sena balksamák
ialorigánia
mediolani maguesos
sena balksamák
ad’damʦes (ad’daʦes) litú enson
inatigníiu vesvák (ues’uák)
Tradução:
Ó tu que caminhas pelas florestas
de árvores altas e terra escura
cortadas pela poesia dos ventos
e pelo festim das folhas
deusa do nemeton
permitas a nossa celebração
antiga e fortíssima
rainha da clareira
do centro sagrado da planície
antiga e fortíssima
permitas a nossa celebração
em reconhecimento e excelência.
Souaweloï! (Bons ventos!)
Em Nougalz:
DEOUIA “NEMETOUN”.
Ó tou go lenez per agronioue
ardtanoun e’ douterei
nádouas tra dánie gadzoun
e’ tra vouelie doulai
deoua nemetei
adamtzes ós litouon
sen e’ balcmar
berdoprenrígan
metonovezei masei
sen e’ balcmar
adamtzes ós litouon
en atageniu e’ bouez
Pronúncia aproximada:
Ó tu go lenez per agroniue
ardtanun i duterei
náduas tra dánie gatsun
i tra vuelie dulai
adamtses ôs lituon
sen i balcmar
berdoprenorígan
metonovezei masei
sen i balcmar
adamtses ôs lituon
en atagueniu i buez
Em Latim:
DEA “NEMORVM”*
O tū ea silvis eis
magnæ arborŭm cæcæ terræque
cædta poesiĕ ventōrŭm
et festō foliōrŭm
dea nemetoni
nostrăm celebrationĕm permittas
antīqua fortīssimaque
rēgīna rariorŭm silvæ
sacrī medĭī plānitiēī
antīqua fortīssimaque
nostrăm celebrationĕm permittas
in recognitiōnĕ excellentĭāque
*Fico devendo em Galego-Português…
*Acreditamos que o termo latino “Nemus”, traduzível por ‘bosque’, ‘floresta’, ‘vinhedo’ derive da mesma raíz Indo-Européia ou esteja de alguma forma relacionado, em todo caso, certamente a substituição do termo seja problemática; caso ‘latinizemos’ o termo Gaulês, provavelmente seja algo como “Nemetum”, nominativo plural “Nemeta”; por favor, lei-se “Nemetorum” (latinizado) ou “Nemeton” em Gaulês (ambos genitivos plurais).
Fontes:
SIMÓN, Francisco M. Religion and religious praticies of the Ancient Celts of the Iberian Peninsula. E-Keltoi, v. VI, 2005.
PORTO. Dicionário Latim-Português/Português-Latim: Dicionários acadêmicos. Porto: Porto Editora, 2005.
PIQUERON, Olivier. Yestis Keltika.pdf. Disponível no grupo Celticaconlang do Yahoo.
GLASTORATIN. Draft English/Nougalz Dictionary.pdf. Disponível no grupo Celticaconlang do Yahoo.
DINIZ, Marcílio. Esboços de notas e léxico Nougalz/Português v.1.0.pdf. Disponível no grupo Teallach do Yahoo.
Excelente, a carants!
))
(mas, cá entre nós, eu prefiro o Labarion pela sonoridade mais “arcaica” — o Noulgalz é muito Bretão para mim