CANTO PARA O SOLSTÍCIO DE INVERNO.
(Marcílio Diniz)
Ó Poderosos invencíveis
Estirpe dos Imortais
De feitos tão gloriosos
Lembrados pelos mortais
Imersos no lugar onde
Não se perderão jamais
A luz não brilhará mais
Neste crepúsculo de escuridão
A noite reinará serena
Cobrindo a imensidão
A treva cobrindo o céu
Em um aboio de solidão
O vento de retidão
Para o tempo e o olhar
O sol é sepultado
No horizonte crepuscular
O gado muge no campo
E o poeta põe-se a cantar
O verde a testemunhar
O sacrifício do reinado
O pau-brasil e o oitizeiro
Com o olhar amargurado
O triunfo da noite sobre
O brilho do sol amado
Seu reino foi afamado
E trouxe tambem grandeza
Tostou a terra sofrida
Parou muita correnteza
Aqueceu os lajedos altos
Pelo fogo da realeza
Retirou a certeza
Da terra o broto nascer
Macambira espinho do sol
Fez sedentos perecer
No clarão do meio-dia
Fez o vento aquecer
Hoje sem nos esquecer
Louvamos o negro não-dia
Triunfante bruma e treva
Que antes se escondia
No verde das matas altas
Na chuva pura e sadia
O noite já respondia
A jurema e o carcará
Preparando a mortalha
Que o sol se cobrirá
Nesta noite serena e bela
Que o brio do sol morrerá
Mas o sábio se lembrará
Que as coisas mudam e voltam
E que se os rios correm
E as flores o pólem soltam
É por causa do sol brioso
Que as sementes brotam
(ele renascerá!)
Que pena que dessa vez não foi possivel estar com vcs… mas se os Deuses assim permitirem estaremos juntos na próxima.
Blessed be!!!
Danna