Como era previsto (vide tópico do Orkut), realizamos um rito tradicional entre o Equinócio de Outono e o Solstício de Inverno (o fim na Roda do Ano do Paganismo Contemporâneo). Os detalhes foram todos combinados via Orkut ou pessoalmente, no caso daqueles que moram próximos uns aos outros. O episódio mais pitoresco ficou por conta de Tiago Celta, que demonstrando uma típica atitude de pagão da contemporaneidade, quebrou uma mesinha da sua mãe para fazer a nossa fogueira. No mais, a celebração conectou a Paraíba do brejo ao litoral, já que reuniu representantes de Esperança à João Pessoa. O ponto combinado para encontro foi a casa de Marcílio, dono da comunidade no Orkut e que teve a iniciativa.
PARTE 1: Reunião dos membros
A “aglomeração” do pessoal disposto a participar do ritual se deu de forma bastante tranqüila. Quando eu cheguei na casa do Marcílio praticamente todos já estavam lá, faltando apenas Filipe e Auricélio e sua convidada – estes dois últimos demoraram mais. As nuvens começaram a indicar uma possível chuva e nada deles chegarem. Com o sol já acolhido pelo horizonte e após alguns telefonemas, ficamos sabendo da chegada de Auricélio no centro de Lagoa Seca, porém o local de encontro fica após a cidade. O grupo então decide dar início à caminhada, mesmo sem a chegada do nosso companheiro atrasado. Para se chegar ao local escolhido segue-se a mesma estrada que leva ao popular “Magia do Verde”, Marcílio ficou aguardando Auricélio em um ponto de ônibus na BR e bem na entrada da estrada que seguimos. Abaixo segue um breve diário da viagem sob a minha pouco atenta, mas também pouco infiél, ótica.
PARTE 2: A caminhada
Alguns minutos depois os gritos do anfitrião de “Ei aí da frente!” nos indicaram a sua presença, demonstrando que o atraso de Auricélio não foi maior. A estrada no princípio estava razoavelmente iluminada por postes e pelas luzes das próprias casas. Alguns metros à frente a luz diminuiu, embora não drasticamente, e alguns dos caminhantes começaram a dar sugestões para que realizássemos o ritual ali mesmo, num sítio bem ao lado da estrada e bastante plano. A maioria (sabiamente) optou por prosseguir. Então a estrada ficou ainda mais escura, dando sinais de que a jornada se tornaria mais penosa. Foi aí que o pior aconteceu, Marcílio indicou um estreito caminho pelo qual deveríamos seguir. Após as devidas oferendas realizadas no intuito de manter um pacto de respeito com a “Cumade Flôzinha”, entramos neste caminho estreito e pegamos a trilha em direção ao local de celebração.
Havia chovido no dia, por isso o mato da estrada estava bastante molhado. Ladeiras íngremes foram surgindo, pedras e buracos apareceram, e pra dificultar ainda mais nossa caminhada, em determinado ponto, árvores e arbustos haviam sido cortados e colocados no meio da estrada – ficou difícil subir a ladeira. Sorte que os seres da mata estavam a nosso favor, e até mesmo uma sagrada Jurema brindou nossa passagem.
PARTE 3: A chegada
Após alguns alertas de Gildo sobre as possíveis “merdas” da estrada, chegamos ao local. Clareira espaçosa, na qual alguns arranjaram comidas e bebidas em um canto e eu e Gildo começamos a (tentar) transformar a mesa destruída por Tiago em uma fogueira.
PARTE 4: O rito
Não vou descrever cada passo. O importante é que tudo transcorreu em harmonia. As entidades e ancestrais presentes participaram e receberam as oferendas, dando sinais bastante claros de sua receptividade e gratidão.
PARTE 5: O regresso
Assim como a ida, a volta também apresentou problemas naturais do trajeto, já que retornamos pela mesma trilha/estrada. Porém, desta vez as conversas circulavam em torno do ocorrido no próprio rito e também sobre panteões celtas e gregos – algumas conversas não relacionadas ao rito também surgiram depois, principalmente sobre uma festa da UEPB que a galera pretendia ir.
UM ENCONTRO BEM SUCEDIDO
Enfim, no geral o rito pode ser considerado um sucesso. Honramos nossos ancestrais, celebramos o fim e conseqüente renovação da vida, agradecemos pelo verão fervente de nosso Glorioso Nordeste e saudamos o poderoso Inverno que se aproxima. Oxalá os próximos possam ser tão poderosos quanto este, assim estaremos caminhando bem. E que nossos deuses nos abençoem.
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