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DEUSES LUSO-GALAICOS: NOÇÕES BÁSICAS

05/04/2008

NOÇÕES SOBRE OS DEUSES CULTUADOS EM TEMPOS PRÉ-ROMANOS NAS TERRAS DA LUSITÂNIA E CALLAECIA.

Como se vê nos comentários abaixo, um quadro geral mais correto das divindades Luso-Galaicas pode ser visto nos seguintes links:

AERNOS (AERNO, ÉRNO): divindade cujo culto foi registrado unicamente no norte da Callaecia, atual Galícia, associado aos ventos, aos caminhos; há bastante controvérsias sobre a natureza/atuação desta divindade segundo as fontes pesquisadas.
ARACO (ÁRACO):  divindade regional mencionada em Alcabideche, Cascais, Lisboa, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
ARENTIOS/ARENTIA: par divino associado ao lar, aos pares gauleses Grannos/Sirusa, Mercúrio/Rosmerta, consequentemente o deus é associado à Lug (cultuado em áreas diferentes, por tribos diferentes), em seu aspecto de inventor de todas as artes, multifacetado, brilhante, riqueza, fertilidade e a deusa Arentia possuindo um carater de fecundidade e associação com a terra e cavalos.
ATTAECINA (ATTECINA, ADECINA, ATÉGINA): ligada com a morte, submundo e a agricultura, fertilidade, noite e escuridão, provavelmente seu nome signifique “Renascida”, épiteto Turibrigenses (“da cidade de Turobriga”), Sancta; alguns estudiosos lhe atribuem 3 centros de culto, ou santuários: nas proximidades de Santa Lucía del Trampal (Alcuéscar, Cáceres), Dehesa Zafrilla de Malpartida de Cáceres e Dehesa el Palácio, de Herguijuela de Cáceres. Tambémlhe são atribuídas uma esfera de culto bastante organizada, inclusive suposta por alguns, como ‘instituicionalizada’.
BANDUA (BAND, BANDU, BANDUE): associado a lugares antigos, famílias, tribos, à guerra, carvalhos, tido como defensor da tribo, deus protetor de um lugar, forte ou tribo, juramentos e compromissos, alianças e laços em geral; é a divindade mais citada nas inscrições votivas e a de maior número de epítetos registrados; alguns estudiosos o relacionam as confrarias de guerreiros que se voltavam exclusivamente a vida bélica.
BODO:  divindade regional mencionada em Villapalos, Léon, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
BORMANICOS (BORMÂNICO): divindade associada a curas e ao curso de rios, fontes, alguns estudiosos o  ligam ao Bormanus gaulês e ao Dian Cêcht irlandês.
CANDEBERONIO (CANDEBERÔNIO):  divindade regional mencionada em Vila Nova de Mares, Braga, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
CARNEO:  divindade regional mencionada em Arraiolos, Évora, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
COHUE (COHUENTENA): Os estudiosos associam a deusa-tripla céltica Coventina ligada a fontes sagradas e curas.
COSOS (CÔSO): similar a Bandua, a ponto de alguns estudiosos o associarem como o mesmo deus, com outro nome e cultuado em regiões diferentes de onde o culto de Bandua foi registrado, ligado a assembléias, guerra, furor guerreiro e magia; geralmente é mencionado próximo a regiões costeiras.
CROUGA: divindade registrada na inscrição de Lamas de Moledo (Castro Daire), associada a funções ctônicas, à morte e a pedras.
DENSO:  divindade regional mencionada em Felgar, Moncorvo, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
DURBEDICO (DURBÉDICO): divindade regional mencionada na torre do Ronfe, Guimarães, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
EBURIOS (EBURIANOS, EBÚRIO): divindade associada ao freixo e bosques em geral.
ENDOUELLICOS (ENDOVOLLICO, ENDOVÉLLICO): associado a curas e a vaticínios, se mostra as seus fieis nos sonhos, de caráter tutelar, barbado, ligado às trevas, ao submundo; seu nome é traduzido por alguns como “muito negro”, outra possível tradução de uma outra interpretação é “o que contém em si mesmo bom amor” e ainda outra “aquele que contem em sí o lobo”, associado ao porco , javali, palma e coroa de louros.
EDOUIOS (EDÓVIO):  divindade regional mencionada em Caldas de Reis, Pontevedra, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
ERBINA: divindade feminina de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
ICCONA LOIMINNA: divindade a quem foi registrada um sacrifício de uma ovelha (apesar de alguns estudiosos traduzirem por égua) na inscrição lusitana de “Cabeço de Fráguas”, alguns estudiosos sugerem uma possível relação com a divindade gualesa Epona, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas..
ILURBEDA: divindade feminina de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
LACIPAEA (LACIPEA): divindade feminina de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
LAEBO (LÉBO, LABBO): deus a quem na inscrição lusitana em “Cabeço das Fráguas” é sacrificado um porco, possivelmente seu nome signifique “atravessado, torcido, sinistro, falso”, ligado a magia bélica, não há muitas indicações sobre suas atuações.
LANEANA: deusa associada ao rio Limaeas, entendido por alguns dos estudiosos como sinônimo do Outromundo.
LARIBERO:  divindade regional mencionada em Donón, Pontevedra, de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
LUGOS (LUCUS): deus pãn-céltico, registrado unicamente no norte da Callaecia, atual Galícia espanhola; relacionado as artes em geral, de muitas habilidades, ligado a prosperidade e comércio, assim como a corvos e portador de uma lança; alguns estudiosos galegos (apesar de controvérsias) o associam ao Sol.
MUNIDIS (NÍMIDIS): deusa a qual o santuário de Eiriz (Castro de Sanfins) é dedicado,  de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
NABIA (NÁVIA): associada a lugares selvagens, deusa associada tanto as montanhas quanto a água e os céus, multifuncional, deusa mãe e selvagem guerreira, possivelmente uma deusa tríplice omnipresente, cujas faces se voltavam aos céus, a água e a terra; é a deusa cujo culto foi mais registrado, está geralmente mais associada a água e segundo alguns estudiosos, é a que porta uma cornucópia na “Fonte do Ídolo” em Braga.
NETOS (NEITOS, NETO): deus associado aos campos de batalha, a guerra e ao Sol, ao simbolismo da mão; alguns estudiosos o relacionam ao Net irlandês.
OENAECHOS (ÉNECOS): divindade de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.
QUANGEIOS (QUANGEIO): Uma das divindades que possuem mais registros votivos, apesar de nenhum dos estudiosos pesquisados sugerirem a natureza e/ou atuação da divindade.
REUE (REUA, REVA, REVE): considerado deus supremo, associado ao alto das montanhas, chuvas e tempestades, também associado ao fluxo dos rios e as águas correntes (as vezes indicado como uma deusa), alguns estudiosos sugerem que possuía qualidades de cura e morte, deus soberano, associado as funçõe jurídicas, chefias e lideranças.
RUNESOS CESIOS: associado a magia e guerra.
SALAMATI: divindade associada a montanha Jálama, com atribuições similares a Reue mas cujo culto pertencia a uma área geográfica diferente, e supõe-se, que a tribos diferentes.
TOGA/TONGOS: divindade regional mencionada em Braga, relacionado ao deus celtibérico Tokoitos.
TREBARUNA: associada por alguns estudiosos como esposa de Reue, deusa da soberania e funções protetoras, segunda deusa cujo culto foi mais registrado, possivelmente seu nome signifique “sabedoria/segredo da tribo” ou ainda possivelmente “fonte da tribo”.
TREPOPALA: divindade relacionada aos ritos de soberania, associada a pedras, proteção de rebanhos e casas; muitos estudiosos a relacionam a Trebaruna, possivelmente seu nome signifique “protetora da tribo” num sentido agrário.
UESTIO (VÉSTIO):  divindade regional mencionada em Lourizán, Pontevedra,  de natureza/atuação desconhecida segundo as fontes pesquisadas.

FONTES:

 AREZ, Maria J. S. O Sacrifício entre os Lusitanos.
GAMITO, Teresa J. The Celts in Portugal. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2005.
GONZÁLES-RUIBAL, Alfredo. Artistic Expression and Material Culture in Celtic Gallaecia. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2004.
MARTÍNEZ, Eugenio R. L. The Language(s) of the Callaeci. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2006
MORENO, Luis A. G. Celtic Place- and Personal-names in Spain and the Socio-political Structure and Evolution of the Celtiberians. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2006.
OUBIÑA, César P.; FERNÁNDEZ, Isabel C. Iron Age Archeology from Northwest Iberian Penisula. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2004.
PEDREÑO, Juan C. O. Celtic Gods of the Iberian Penisula. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2005.
____________________. Teonimos indigenas masculinos del ambito Lusitano-Galaico: un intento de síntesis. In REVISTA DE GUIMARÃES, Vol. 1 (especial). 1999.
QUINTELA, Marco V. G. Celtic Elements in Northwestern Spain in Pre-Roman times. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2005.
SIMÓN, Francisco M. Religion and Religious Practices of the Ancient Celts of the Iberian Penisula. In E-KELTOI. Journal of Interdisciplinary Celtic Studies. Vol. 6, 2005.

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