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CALENDÁRIO DE COLIGNY ADAPTADO AO HEMISFÉRIO SUL (uma tentativa)

20/02/2008

Um sistema de contagem de tempo qualquer, para que funcione, deve ser reconhecido e legitimado por uma comunidade ou grupo de indivíduos. Neste sentido, o Neo-paganismo num geral, adota e legitima o calendário gregoriano estabelecido pelo pontífice cristão Gregório no século XVI, de maneira a corrigir o calendário de herança latina, cuja base havia sido estabelecida por Caius I. Caesar <o mesmo da conquista das Gálias>. É aceite sem qualquer tipo de reflexão prévia, que certas datas, em especial as das celebração celtas, remotam petrificadas desde os tempos pagãos. Este ponto é o que nos parece problemático. A celebração das festas celtas nos dias atualmente reconhecidos como tal é uma herança estritamente insular, e mais precisamente gaélica.

Evidentemente que como as ilhas britânicas e a Irlanda conservaram muito das culturas célticas que se estabeleceram ali na antiguidade, são tidas como referênciais unívocos para a atribuição do predicado “celta”. Mas, como nos diz V. S. Lares (2004, p. 3) ao referir-se as fontes insulares medievais “uma vez que elas representam estruturas religiosas de uma sociedade celta tardia e periférica, provinciana. Muitos de seus aspectos podem não ser facilmente estendidos à todos osgrupos celtas, especialmente aos continentais do período clássico.” Tanto, que para alguns como K. Danaher (1981), argumentam fortemente que a maneira gaélica, especificamente, tem mais forte um substrato que remonta atradição megalítica da Europa ocidental, do que propriamente “céltico”. Ele opõe a maneira gaélica de contagem do tempo, que ao seu ver é eminentemente solar <inclusive acenando para a “pouca presença” lunar nos relatos mitológicos> e quadripartida, a maneira continental-colignyana, alinhada com os relatos greco-latinos <e que no seu ver, seria, à época, mais propriamente “celta”; mas que como bem observou o bardo Wallace William na lista de discussão Teallach, grosso modo, por mais que isto seja assim, a maneira gaélica se tornou tão céltica quanto as outras>. A questão sobre o que seria mais propriamente chamado de “céltico”, nos parece uma questão que apesar de interessante, não nos interessa agora agora.

Aparte destas questões há a uma noção de paganismo muito “subjetivista”, diríamos, e em alguns pontos alheia as particularidades da bio-região onde se está. Neste aspecto, surge, muitas vezes de maneira velada, a questão do critério de preferência para a o sistema de contagem de tempo: seria cultural <argumentos da “egrégora”, tradição, etc.>, estelar <argumentos astrológicos, etc.> ou sazonal <argumentos da imbricação mito/bio-região, etc.>; ou ainda uma combinação destes. Anos atrás, a importação irrefletida – principalmente na Wicca – era algo muito comum. Se via pessoas celebrando Yule <nome, provavelmente, germânico para uma celebração relacionada ao solstício de inverno> durante o Solstício de Verão. Na primeira versão deste texto, de certa forma, depreciamos um pouco a imagem deste tipo de “pagão”: o indivíduo da cinza selva urbana, cidadão do “mundo”, desvinculado a uma identidade e tradição cultural que adota qualquer estrangeirismo, que come alimentos integrais plastificados comprados em grandes supermercados, assim como as frutas européias durante o ano todo, alheio à vegetação local e aos problemas ambientais locais <mas talvez ciente de problemas do tipo “save Tara hill”>, enfim. ao tipo de indivíduo “pagão” alienado ao ‘pagus’. Hoje, percebemos que isto é a questão desnecessária de “quem é mais pagão ‘true” e que isso não leva a muita coisa, apesar de ser divertido de certa forma.

Mas o ponto chave, era tentar realssar o tipo de visão sobre o paganismo que suporta certas “irreflexões óbvias”, validar certos argumentos se, e somente se aceitar uma definição de ‘Natureza’ como algo parecido com imagens mentais de florestas européias, e de ‘neo-pagão’ como aquele que se relaciona de forma religiosa com esta definição de ‘Natureza’. Estamos, evidentemente, privilegiando um conceito de neo-paganismo mais ‘concreto’, que supõe experiências religiosas mais dependentes do meio ambiente, e uma possibilidade de re-significação mítica sem desvalidação dos mitos <apesar de alguns problemas evidentes, por exemplo: em certas bio-regiões, como no Nordeste, o esquema indoeuropeu de uma deusa da fertilidade que desce ao submundo durante o início do inverno, parece não funcionar tão bem – falo por anos de prática – afinal, basta olhar o vigor do verde ao redor para se repensar isto>. Este tipo de favorecimento supõe que a religião possa embasar de forma mais profunda uma espécie de filosofia prática de vida mais adequada em relação aos problemas ecológicos e ao que entendo por ‘Natureza’ e de meu significado diante dela. Antes de uma resposta “correta”, almejamos a uma pergunta apropriada; saber qual critério de contagem de tempo é relevante, depende de muita coisa, muita coisa mesmo e essa questão, apesar de interessantíssima e necessária, está fora de nossos propósitos no momento. No geral, isto parece depender de muitos pressupostos não só das crenças dos invidíduos, mas da maneira como foram “educadas” nelas, etc. A questão talvez fosse formulada, provisoriamente, como: que sistema de contagem de tempo me serve <no sentido de ser coerente e significativo com as crenças adotadas> e por que?

O Calendário de Coligny, tem seu valor para os pagãos em geral, e não apenas para os de foco céltico, por proporcionar um motivo para se refletir sobre isto. Assim como os antigos gregos, tinham seu próprio calendário e observações, os romanos, germânicos e demais povos, tinham os seus em suas especificidades e variantes. Neste aspecto, os Reconstrucionismos tem prestado um grande serviço, em termos de coerência histórica aliada a um refexão bio-regional, a comunidade pagã, num geral.

O Calendário de Coligny, foi encontrado na França no século XIX na região de Coligny <por isso o nome> e muito provavelmente esteja associado a tribo gaulesa dos Sequanos. O calendário, o melhor o que sobrou dele, está escrito em gaulês com o alfabeto latino e muito se especula sobre sua origem e decifração. No geral, o calendário é luni-solar, consistindo de 12 meses de 30 e 29 noites mais um intercalado a cada 2 anos e meio <pois “sobram” 11 dias e 6h em relação ao calendário solar”, e ao que tudo indica, necessita de ajustes em se tratando de longas durações de tempo. Os meses são divididos em duas metades separadas pelo ‘atenoux’, palavra de difícil interpretação que considera-se formada pelo prefixo ‘ate-’ <”de novo, novamente”, equivalente ao ‘re-’ latino> e o “obscuro” ‘noux’, que alguns estudiosos relacionam a ‘nox’ <”noite”>, ou ‘nowy-’ <”novo”>, de modo a surgirem etimologias como “noite do retorno” ou ainda “renovação”. Ainda os dias são agrupados em dois grandes grupos a maneira dos calendários como o latino, em dias ‘favoráveis’ <fastos, ‘matus’> e “desfavoráveis” <nefastos, ‘anmatus’>. Os meses de 30 dias são ‘matus’ <favoráveis, propícios, de sorte> enquanto os de 29 ‘anmatus’ <não-propícios, azarentos>.

Há algumas tendências interpretativas em considerar que dentro de um mês, certos dias possuem alguma relação com os meses vindouros, sejam como prenúncios simbólicos ou correspondências reais <como a prática de prever o inverno com base no clima de um dia específico>. Há ainda a questão se os vários termos sobre os quais não se tem ainda acordo acerca das traduções, uma vez que muitos parecem ser abreviaturas, dizem respeito a observações sazonais ou marcação de certas estrelas ou constelações. O ano, no geral, tem duas divisões básicas, em “inverno” e “verão”.

A proposta que tratamos abaixo, talvez tenha alguma utilidade para os de foco cultural céltico relacionado as culturas continentais, em especial aos gauleses e indiretamente aos ibéricos <uma vez que Estrabão relata que os celtibéricos observavam a lua cheia, com ritos, dança e música>. A base é a proposta da Technovate <se não me falha a memória, associada à Whiteoak>, onde os meses se iniciam com as luas negras e cheias durante o ‘atenoux’. Isto é extremamente problemático. Muitos são os que observam o relato de Plínio, o velho, que diz que os druidas reconheciam o início dos meses no sexto dia de lua <e entende-se no início da crescente>, interpretando o Calendário de Coligny com este pressuposto. Outros por sua vez, ignoram isto <por ser Plínio a fonte única ou outro motivo qualquer> e preferem harmonizar o início dos meses com o conceito céltico geral de “início no escuro”.

Assumimos esta última por simples “simpatia”, há argumentos bons em ambos os lados da questão e parece o favorecimento de uma ou outra interpretação ficará dependendo de outros vestígios arqueológicos. Em todo caso, tomamos a liberdade de adaptar os meses ao hemisfério sul, tomando por critério um argumento do tipo sazonal <imbricamento mito/bio-região – no que diz respeito ao Hemisfério Sul, sempre na medida do possível>. Estes pontos são convenções assumidas sem pretensão de validade “universal”. Que fique claro. Alguém poderia argumentar, que da mesma forma como não adaptamos o calendário gregoriano ao Hemisfério Sul <trazendo o Natal para o que hoje é junho>, não há motivos para tal. Bem, como dissemos, estamos priorizando um argumento do tipo sazonal, considerando a hipótese de um do tipo estelar, apenas como auxílio, digamos, didático- ilustrativo.

Neste sentido uma interpretação da etimologia do nome dos meses tem prioridade e se aliaria aos eventos bio-regionais; as interpretações das abreviações ainda estão um tanto controversas demais – pelo menos segundo as fontes que tive acesso, por isso as ignoremos. Em todo o caso, como dito, antes, tal NCC <Novo Calendário de Coligny – do “New’s Coligny Calendar” do Technovate> adaptado ao Hemisfério Sul, é apenas uma proposta a ser revisada e aperfeiçoada <ou mesmo, caso hajam motivos assaz convincentes, descartado>.

A conveção utilizada pela Technovate para o dia 1 do ano 1 NCC é 8 de Outubro <lua negra> de 1999 pelo calendário gregoriano, no Hemisfério Norte. Tentando sincronizar isto para o Hemisfério Sul, segundo nossos cálculos, seria 18 <também lua negra> de Março de 1999. Assim sendo, por exemplo, o dia 14 de Março de 2009, pelo calendário gregoriano, seria 18 <IV pós-atenoux, até o anoitecer, depois do anoitecer – ainda na noite de 14/03 gregoriano – seria V pós-atenoux> do mês de Cantlos <Gantel em Nougalz>, do ano 9NCC HS <o HS é a diferenciação para o Hemisfério Sul>. Outra questão interessante seria especular sobre qual o critério para a celebração das festas celtas, grosso modo, se o dia seria “fixado” no NCC por observação estelar, ou sazonal ou ainda “tradicional/cultural”. Há o registro do ‘Trinox<tion> Samoni’ na segunda noite pós-atenoux (XVII). Caso o mês se iniciasse em uma lua negra, tal data marcaria o finalzinho da cheia e início do primeiro quarto minguante; caso o mês se iniciasse no início da crescente <no sexto dia, isto é no 2 quarto crescente>, tal data seria no início da metade final da minguante <início do 2 quarto minguante>. Mas isto seria uma especificidade desta data <por motivos mitológicos que nos são desconhecidos, por exemplo> ou isto seria “extendível” as outras datas celtas <todas as chamadas festas celtas seriam celebradas nesta momento da lua>?

É outra questão difícil, estamos inclinados a aceitar a primeira hipótese, mas se assim o for, diríamos também que temos muitos poucos indícios arqueológicos para postularmos a fase da lua das outras 3 festas, recorreríamos as UPGs…
Espero que estas considerações tenha alguma utilidade para quem as leu. Por favor, fiquem a vontade para criticarem.

Fontes:

CASSIRER, Ernst. Linguagem e mito. Tradução de J. Guinsburg e Miriam Schnaiderman. São Paulo: Perspectiva, 2006.
DANAHER, Kevin. Irish folk tradition and the celtic calendar. In O’DRISCOLL, Robert. The Celtic Consciousness. New York: George Braziller, 1981.
LARES, Vitor S. Imortalidade da alma: o “Outromundo” céltico, mito e rito funerário. In BRATHAIR v. 04. 2004. Disponível em:http://www.brathair.com/revista/br/04.02.2004.html
LAUNAY, Olivier. A civilização dos celtas. Tradução: sem créditos. Rio de Janeiro: Otto Pierre editores, 1978.
WHITE, Ray. Ray White’s Coligny Calendar page. Disponível em: http://technovate.org/web/coligny.htm

Links interessantes:

http://caeraustralis.com.au/celtcalmain.htm
http://www.roman-britain.org/coligny.htm
http://caeraustralis.com.au/celticyearintro.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Coligny_calendar
http://www.personal.utulsa.edu/~marc-carlson/calendar/coli1.html
http://www.personal.utulsa.edu/~marc-carlson/calendar/coli2.html

A noite 1 do NCC HS é o anoitecer de 18 de março de 1999.

Ano 9NCC (2008/9 gregoriano).
Obs: os dias começam ao anoitecer e os meses nas luas negras/novas.

Abreviações:

PrIE: proto Indo-Europeu. PrC: proto-céltico. IrA: irlandês antigo. Irl: irlandês. GlA: galês antigo. GlM: galês medieval. Gal: galês. BrA: bretão antigo. BrM: bretão medieval. Bre: bretão. CrM: cornualhês medieval. Cor: cornualhês/córnico. Man: manquês. Esc: escocês

Mês em Nougalz, nome Gaulês, Irlandês|caráter|início no calendário gregoriano.

I. Midz samon (Samonios – Samhain)|matus| 5/4/08
> Mês da assembléia dos vivos com os mortos. Etimologia: muito provavelmente venha da raíz PrC *samoni (festa no primeiro mês) -> PrIE: *somon- “reunião”, IrA: samain; ou ainda, ‘sam’+'fuin’ (fim do verão). Gaulês ‘samos’ (verão). vd. ‘Samhain’ é o termo que designa o mês de ‘novembro’ em gaélico irlandês e escocês.

II. Midz douman (Dumannios – Dumhainn)|anmatus| 5/5/08
> Mês escuro, nublado. Etimologia: IrA: domain (profundo), domun (mundo), mí (mês), PrC: *dubno- (profundo, mundo), *dubni- (profundo, escuro), *m-ns (mês). Talvez ainda esteja relacionado com os termos ‘domhainn’ (profundo), ‘domhan’ (mundo) em escocês. vd. ‘Du’ é o termo que designa o mês de ‘novembro’ em cornualhês e em bretão.

III. Midz riour (Riuros – Ríur)|matus| 3/6/08
> Mês molhado, ventos frios e neblina, lua do milho. Etimologia: IrA: reód, réud (frio), CoM: reaw (frio), GlM: rew (frio), PrC: *freswo- (muito frio), *ouxto-, *vuro-, *airo-, *iegino- (frio), *regwu- (congelado). Relacionado aos termos ‘reu’ (frio) e ‘rewys’ (gelo) em cornualhês, assim como ‘rio’ (gelo) em manquês.

IV. Midz anagant (Anagantios – Naghaid)|anmatus| 3/7/08
> Mês da forja e da poesia, lua de inspiração. Etimologia: muito obscura, vd. PrC: *gan-d-o- (tomar lugar, posicionar-se), Man: anagh (charco, brejo, lamaceiro), Esc: aghaidh (face, frente, aspecto), aghann (panela).

V. Midz ogron (Ogronios – Uarain)|matus| 1/8/08
> Mês frio, lua da jaqueira. Etimologia: Cor: oir (frio, gelado), IrA: úar (frio, gelado), GlM: oer (frio, gelado), PrC: *owgro-, *iegino- (frio, congelado, gelado). Talvez estaja relacionado ao termo ‘oighear’ (gelo) em irlandês.

VI. Midz cuez (Cutios – Cuithe)|matus| 31/8/08
> Mês do início do estio, lua da laranjeira. Etimologia: muito obscura. vd. PrC: *kwoud-e/o- (ir)? Gal: cuddio (esconder, cobrir), Man: cut (radiante, emitindo facho -de luz), Irl: cúthail (retirar-se). Talvez exista alguma relação com os termos ‘cuidich’ (ajudar, assistir) em escocês, ‘cutt’ (cêpo, toco) em manquês, ‘cúiteamh’ (compensação, retribuição) e ‘coiteann’ (comum) em irlandês, ‘cüth’ (problema) e ‘cüntell’ (reunir, coletar) em cornualhês.

VII. Midz giamon (Giamonios – Geamhain)|anmatus| 30/9/08
> Mês claro.  Etimologia: BrA: guoiam, IrA: gam, gem, GlA: gaem, PrC: *gajamo-, *gyemo (inverno). IrA: ‘gam’+'fuin’ (fim do inverno), Gaulês ‘giamos’ (inverno). cf. ‘jerrey Geuree’ (fim do inverno) em manquês nome dado ao mês de ‘janeiro’.

VIII. Midz simiouison (Simiuisonnos – Síufainn)|matus| 29/10/08
> Mês seco, florido. Etimologia: muito obscura. Talvez possua alguma relação com os termos ‘mezheven’ em bretão, ‘metheven’ em cornualhês e ‘mehefin’ em galês, todos designando o mês de ‘junho’.

IX. Midz eoug (Equos – Eacha)|anmatus| 28/11/08
> Mês de fogo, lua do cajueiro. Etimologia: PrC: *ekwo- (cavalo), IrA: ech (cavalo), GlM: ebawl (potro), BrA: ebol (potro). cf. Gaulês ‘epos’, ‘marcos’ (cavalo).

X. Midz elemeu (Elembiuios – Eilmí)|anmatus| 27/12/08
> Mês dos raios, lua da jambeira. Etimologia: muito obscura. PrC: *elan(t)- (traseiro, posterior)?

XI. Midz edrin (Edrinios – Aodhrain)|matus| 25/1/09
> Mês quente, lua da oliveira. Etimologia: muito obscura. cf. Galês ‘edrych’ (olhar, examinar), cornualhês ‘edrek’ (remorso)?. vd. ‘mýs-Hedra’ (‘Hydref’ em galês) termo cornualhês que designa o mês de ‘outubro’.

XII. Midz gantel (Cantlos – Cadal)|anmatus| 24/2/09
> Mês do início do tempo escuro, lua da jaboticaba. Etimologia: PrC: *kantlo- (canção, canto), IrA: cétal (canção), GlM: cathl (canção), BrM: kentel (lição) -> “mês de canto”.

XIII. Midz gialeren (Ciallos – Eadrán)|matus|25/3/09.
>Mês intercalado, lua dos auspícios do inverno. Etimologia: obscura.

Festivais.
Celtas (caso sejam celebrados nas luas cheias):
*Trinoxtion Samoni/Trinux Samo Sindiu/Samhain – atenux 14,15,16/sam/09NCC (18,19,20/abr/08)
Ouiamelgtis/Brigantia Ambivolcios/Oimelg – atenux 14,15,16/ana/09NCC (15,16,17/jul/08)
Belotenedos/Belotenia/Beltane – atenux 14,15,16/gia/09NCC (13,14,15/out/08)
Lugunasada/Lugunassatis/Lúnasa – atenux 14,15,16/ele/09NCC (9,10,11/jan/09)

Solstícios e Equinócios:
Solstício de Inverno/Alban Arthan – 18/rio/09NCC (20/jun/08)
Equinócio de Primavera/Alban Eilir – 22-3/cue/09NCC (22/set/08)
Solstício de Verão/Alban Hefin – 23-4/eou/09NCC (21/dez/09)
Equinócio de Outono/Alban Elfed – 25-6/gan/09NCC (20/mar/09).

10/11/2009

Nos últimos meses tenho começado a pensar que se pode ver o que se deseja no Calendário de Coligny e conseguir fundamentar igualmente muitas interpretações díspares entre si. Isto têm me indicado que o calendário em si carece de mais evidências (talvez nem tanto o calendário, mas fontes iconográficas e arqueológicas no geral) para indicar um diretriz interpretativa. Há muita coisa na internet, basta uma simples pesquisa para conferir. Desde interpretações que colocam o mês Samonios no verão as que o colocam como o “fim do verão”. Basta citar a interpretação do pessoal dos Les Druides du Quebèc ou do Caer Australis (ambas quase que contrapostas – e não só pelo fato do pessoal da Austrália estar no Hemisfério Sul). Boa parte desta discussão sobre as interpretações do Calendário de Coligny têm ocorrido (em uma micro escala) na lista Celticaconlang e basta uma revirada nas mensagens para conferir.

Bem, confesso que isto têm me desestimulado em certo sentido, mas em outro têm me deixado mais claro o caráter de apropriação contemporânea, que apesar de ser mais ou menos justificável, não goza do estatuto epistemológico firme que certas posições dogmáticas lhe atribuem.

Enquanto sistema, se relacionarmos com o calendário ático, por exemplo, vislumbramos similaridades que nos levam a conjecturar se não seria este (o sistema luni-solar) uma espécie de constante para os calendário de cunho religioso no mundo europeu ocidental. Podemos tentar isolar a estrutura do calendário, seu esqueleto, e elaborar algo no âmbito regional. Para este projeto, estando aqui na Paraíba, seria bom vasculhar algo relacionado no âmbito indígena – se é que existe – assim como o céu visível do hemisfério sul. No mundo indo-europeu no geral, assim como evidências sugerem que no nativo também, o critério geral de ordenação é sazonal: nomeia-se os meses relacionado-os a eventos sazonais diretos, atividades humanas sazonais ou simbolicamente relacionadas. Mas este projeto (de constituir um calendário funcional luni-solar de âmbito regional) é algo que deve ser discutido em outro post. Voltemos ao calendário de Coligny.

Iniciado no sexto dia de lua visível.
Ano 10 (iniciando em 24/março de 1999).

Antaranos (Ciallos) – 31/mar/2009
Samonios – 30/abr/2009
Dumannios – 30/mai/2009
Riuros – 28/jun/2009
Anagantio – 28/jul/2009
Ogronios – 26/ago/2009
Cutios – 25/set/2009
Giamonios – 25/out/2009
Simivisonna – 23/nov/2009
Equos – 23/dez/2009
Elembivos – 21/jan/2010
Aedrini – 19/fev/2010
Cantlos – 21/mar/2010

Samonios – 20/abr/2010…

Iniciado na lua escura.
Ano 10 (iniciando em 18/março de 1999).
Antaranos (Ciallos) – 25/mar/2009
Samonios – 24/abr/2009
Dumannios – 24/mai/2009
Riuros – 22/jun/2009
Anagantio – 22/jul/2009
Ogronios – 20/ago/2009
Cutios – 19/set/2009
Giamonios – 19/out/2009
Simivisonna – 17/nov/2009
Equos – 17/dez/2009
Elembivos – 15/jan/2010
Aedrini – 13/fev/2010
Cantlos – 15/mar/2010

Samonios – 13/abr/2009…

2 Comentários leave one →
  1. marciliodiniz Link Permanente*
    29/08/2009 16:01

    Ainda preciso atualizar para o ano 10 NCC > seria bom já colocar o 11 também.

    Inté!

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  1. Atualização de um post antigo « Parahyba Pagã

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