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Saudações.

Bem, o desdobramento prático em política, de concepções pagãs sempre fora uma espécie de eco que rondou este blogue. Desde os tempos que Rodrigo Leão escreveu aqui – nossos posts sobre o Eurocentrismo, e sobre o problema da Identidade Nacional, etc. giravam em torno disto. Neste quesito, desde uns anos, eu realmente percebi que tinha muito a ler para formar uma opinião suficientemente robusta para pensar com clareza a relação do mundo religioso que abraço, no geral a concepção Tradicional Indo-europeia refletida no Ibero-celtismo, com os movimentos e posturas políticas de nosso tempo. É uma tarefa séria que se feita levianamente, pode gerar frutos azedos e mal formados. Minha natural tendência regionalista e minha teimosia em ver a Identidade Brasileira, como incontornavelmente problemática devido aos vários e díspares “Brasis” e da imposição midiática de uma identidade fluminense como “Nacional”, entre outras tantas coisas, afastaram-me de tomar posicionamentos mais concretos em relação a muita coisa.

Bem, talvez por causa de um tópico numa das maiores comunidades de Paganismo do Orkut, alguém enviou-me um e-mail, recentemente, perguntando minha posição em relação aos pagãos brasileiros (especialmente os vinculados ao Reconstrucionismo, que algumas vezes desenvolvem certo grau de Etnicismo) apoiarem movimentos políticos de cunho Nacionalista. A resposta a esta pergunta, se inseriu num conjunto mais amplo (e talvez mais sistemático) de umas coisas que pretendo escrever, e que venho neste post registrar o roteiro que tenho em mente. Organizar as ideias. Desde que ministrei uma disciplina, semestre passado, que na verdade foi um curso de Introdução geral à Política dado de uma ótica, que talvez pudesse chamar sem injustiça, de “tradicionalista” (tanto que alunos Comunistas quase saíram magoados comigo, assim como liberalistas radicais) que tive de parar para analisar a vacuidade de uma formação política embasada em boa parte dos pagãos com quem convivo/convivi aqui no nosso estado. Isto, obviamente, reflete em grande parte, a aversão à Política (em nosso país, tão doentia e sujamente corrupta) por parte das pessoas comuns e honestas; por outro lado, reflete o igual desejo (compartilhado por mim, por exemplo) de não misturar as águas em demasia, pelos riscos que gera à prática espiritual, trabalho em prol da religião e aos laços naturais (os virtuais nem tanto); além de menor interesse propriamente dito. Sem contar que, para pessoas ocupadas e espiritualizadas, o tempo livre é mias naturalmente dirigido ao trabalho em prol da religião e do culto, mais do que para atividades de promoção política-ideológica.

Ora, mas há pessoas e pessoas.

Há pessoas que estão menos dispostas naturalmente a empregarem seu tempo na reconstrução de hinos em línguas antigas, ou ao estudo de fórmulas e rituais, como reavivá-los, etc. Há pessoas que querem outro tipo de ação, militância, etc. Nada mais normal, e para gente como eu, nada mais lógico e preferível. Há artesãos, agricultores e produtores; há guerreiros, militantes e aventureiros e há professores universitários, sacerdotes e peritos em poesia. Além de que há pessoas que têm em si duas “classes” desta; outras, bem mais raras, que podem mover-se bem entre as três. E há “párias”; sim, as há! Daí que a necessidade de encarar a política numa dimensão mais espiritualizada varie, assim como as próprias visões políticas, variantes tanto pela formação do sujeito, quanto pela sua disposição interior, natureza, “classe”.

Daí que não faz sentido dizer um modo único, uma visão única de um modo único para todos os Neopagãos. Há visões e batalhas que não são para todos, e não há problema algum nisto. Ao contrário, esta me parece a ordem natural das coisas. Pois além da diferenças entre as naturezas das pessoas, há diferenças nas crenças das pessoas. Enquanto religiões, somos uma minoria, e uma minoria composta por diversas mundivisões, ideologias, valores morais, teologias, etc. Muitas vezes que podem conflitar entre si, inclusive. Imaginemos o caso seguinte: o religioso A defende a Homossexualidade e é militante convicto desta causa, e ativista constante; o religioso B é o tipo de sujeito que não vê motivos para ser contra, aceita em certa medida mas não é lá militante; e o religioso C é contra o Homossexualismo reconhecido estatalmente e acredita que este comportamento deve permanecer “marginal”. Tanto A, como B e C são pagãos. Provavelmente de religiões de matriz indo-europeias diferentes (principalmente A e C). E numa manifestação e contramanifestação estariam em lados opostos (B provavelmente estaria tomando um sorvete na esquina ou passeando num parque). Mesmo que os três sejam pessoas do mesmo caráter, “classe”. Ou seja, uma igualdade de disposições naturais não implicam numa igualdade de visões políticas, pois o direcionamento da moção (apesar do impulso, força motriz, ser a mesma) pode ser determinado por forças externas (condicionamentos e experiências pessoais, educação – o que inclui religião, etc.) ou internas mesmo, se houver, de fato, alguma influência genética, como alguns sugerem.

Por estas e outras é que, penso, não se deve esperar uma postura política uniforme, única e universal dos pagãos, pelo simples fato de assim o serem. E mesmo de temas “tabus”, considerados como retrógrados, politicamente incorretos, danosos, etc. E por isto que qualquer coisa que seja falada, recomendada, será de fato útil, e realmente informativo (no sentido aristotélico de “forma”) para alguns. Daí que me parece mais produtivo para todos, falar de termos gerais e históricos – de modo a inspirar cada um ler, debater, formar sua própria opinião dentro de sua visão religiosa. Isto é válido em parte, confesso, pois há pessoas que não estão lá dispostas a “pensar” sobre isto, ou pensar por si mesmo. Isto é normalíssimo, e não deveria causar espanto e reprovação para um pagão (pelo menos para os Tradicionalistas).

A questão é que, x ou y, w ou z, ou que seja, quando chega uma eleição temos de tomar uma posição. E uma tomada de posição requer um mínimo de reflexão. Mesmo decidir não votar e tal requer reflexão. E o ser humano parece gostar de sentir que sua decisão tem a sanção religiosa, de que ela está de acordo com a moral religiosa, que é justa/correta, que permite excelência, elevação, iluminação, salvamento do planeta, salvação da alma, etc. É a tendência legítima de integralidade, de coerência.

Então o que pretendo tratar aqui neste blogue, quando o tempo e as circunstâncias possibilitarem? Bem, primeiramente gostaria de indicar uma lista geral de leituras em Política que me parecem importantes para os meus conterrâneos. Depois, há tempos que penso nisto, gostaria de fazer um breve “tour” nos movimentos políticos pela história da Parahyba, visando justamente identificar o que foi mais arraigado nas regiões do estado (monarquismo x republicanismo, a resistência e a promoção dos ideias iluministas-maçons, etc.) e oferecer (a mim mesmo também, claro) maior consciência da história política local (claro que um tanto quanto superficialmente, afinal isto é um blogue e já decidi há tempos que preciso escrever posts menores aqui); depois tratar das reais opções de voto, e dos movimentos de hoje sob uma perspectiva do que há de mais comum entre as religiões de matriz Indo-europeias: justamente a concepção comum de ordenamento social Indo-europeu. Talvez alguém advogue que tal visão tradicionalista não seja válida para religiões como a Wicca e alguns ramos do Neodruidismo. É um ponto discutível de fato, mas em todo caso, ambas religiões tiveram/têm sim grande influência desta herança, seja na organização do corpo sacerdotal (em graus), etc. que me é suficiente.

Talvez isto tudo não seja apresentado, necessariamente, nesta ordem.

Espero responder sobre minha visão quanto ao Nacionalismo, especialmente a como isto se configura aqui no Brasil, em algum momento disto tudo. Provavelmente com um post próprio. Irei logo postar uma lista breve e simples de títulos importantes politicamente, no meu ver, para os conterrâneos pagãos.

Lista de indicações básicas.

  • Indicações prévias: muito das literaturas clássicas Indo-europeias, seja de epopeias, carmina ou pequenos tratados, é importante. Vários fornecem o contexto-base ou a fundamentação religiosa de muitas concepções. Seja o Rig-Veda, Trabalhos e os Dias de Hesíodo, o Taín, etc.
  • Heráclito de Éfeso. Fragmentos. É um texto fácil de ser achado em várias traduções relacionadas aos chamados filósofos originários ou “pré-socráticos”; primeiramente: não é um texto de política! Mas é um texto importante, por vislumbrar (nos fragmentos mais relacionados a moral e mundivisão) parte da arcaica (e diria quase que Divina) moral aristocrática, e do estado de espírito elevado, apesar da escrita obscura e gnômica.
  • Platão. República. Talvez um dos textos mais clássicos e expressivos de uma visão tradicional que se pode pensar. Claro, com exceção de certas pitadas de inovação pitagórica (e purismo eleático) aqui, e do trato epistemológico (basicamente concentrado nos livros VI e VII) acolá. Acredito que deve ser um livro lido minuciosamente.
  • Aristóteles. Política. É outro texto clássico, infelizmente não tão lido nem estudado quanto a República de Platão. A visão de Aristóteles é bem importante para os pagãos de hoje, devido a seu Naturalismo, da compreensão da organização cívica/política como desenvolvimento natural. Ele defende alguns pontos de vista, considerados como “terríveis” e “absurdos” (um dos melhores termo é “heréticos”) para a mentalidade moderna politicamente correta e, especialmente, pós-Iluminista (especialmente no primeiro livro), que independente de acordo com o autor ou não, dever ser visto.
  • Marco Túlio Cícero. De Re Publica. Outro ótimo texto para sentir a atmosfera moral e rígida da atividade política sadiamente aristocrática no contraste com formas decadentes de poder concentrado, etc. É um texto que carrega uma mensagem emotiva importante para os aristocratas de espírito.
  • Maquiavel. O Príncipe. É um marco por mostrar a introdução da moral mercantilista, que por princípio dissocia claramente os propósitos políticos dos princípios religiosos e morais, e legitima a arbitrariedade desenfreada do monarca. Claro, apresenta informações importantes para a realpolitk despudorada
  • Francis Bacon. Novum Organum. Não é um texto “político”, mas é crucialmente importante para os pagãos por ser o marco do plantio, em solo preparado previamente pelo cristianismo desde muito, da semente bipartida da necessidade do homem dominar, explorar e subjugar completamente a Natureza – apesar de propor a retomada de um método empírico para o conhecimento científico – destruir os velhos ídolos…
  • John Locke. Dois tratados sobre o Governo. É um texto clássico e que apresenta uma gama de sementes que combinadas com Adam Smith, geram o grosso do Liberalismo. Para os pagãos, aqui há a defesa pela liberdade religiosa, liberdade individual e influência mínima do Estado nas questões privadas do sujeito. A defesa da propriedade privada, julgamento por júri, organização parlamentar, etc. São desdobramentos importantes deste pessoal (em parte, olhando para o mundo antigo, para Aristóteles, Estoicos e Ecléticos romanos) combinados com o que se desenvolvia na França.
  • Jean-Jacques Rousseau. Discurso sobre a desigualdade entre os Homens e o Contrato Social. Outro texto clássico. É extremamente importante, por mostrar claramente a mentalidade Iluminista e a fundamentação da noção revolucionária republicana francesa. O Discurso é um texto chave para compreender a noção de “bom selvagem” que fora utilizada Romantismos à fora, e muitas vezes entraram “subterraneamente” no Paganismo, na exaltação dos ancestrais étnicos. Além, claro de lançar a semente contra todo tipo de desigualdade como sendo injusta e ilegítima (e claro, para se questionar qualquer estrutura hierárquica…). Já o Contrato Social, entre os diversos pontos de importância, (já ao fim, se não me falha a memória) é importante por demonstrar que mesmo entre “liberais”, a existência de uma Religião Civil (tratada de modo meramente político, pragmático e de cima para baixo) ou “secularizada” (por mais contrassenso que pareça) tem lá suas vantagens sociais e políticas.
  • Georg W. F. Hegel. Filosofia da História. É um dos textos que influenciou boa parte da literatura “séria” (“levada à sério”, serio termo) de cunho místico e ocultista (do final do séc. XIX até quase meados do séc. XX) que buscava aí legitimar a noção de propósito da história para a grandiosidade atual, ou ainda por vir. E é precisamente na noção da grandiosidade ainda por vir (na Revolução), e no desenvolvimento dialéctico da História que reside o ponto mais evidente (mesmo para qualquer leigo que tenha lido Hegel) da influência deste texto sobre o Marxismo. Para os pagãos, Hegel ainda coloca a tal noção de “espírito Absoluto” que se desenrola no curso da História e reconhece certos “Gênios” dos povos em ação, personalizando as etnias, num modo de fazer história que sumiu faz tempo. Um certo apego a triplicidade das coisas e uma teoria metafísica estranha. Não se enganem, ele acreditava que o Cristianismo Protestante da Alemanha era o supra-sumo do desenvolvimento religioso até então. Hegel é uma leitura terrível, pela sua prolixidade, hermeticidade forçada, e linguagem nem sempre logicamente compreensível. Daí que é bom lê-lo com tempo e paciência.
  • Ter um texto do próprio Karl Marx que sumarize seus pontos de vista de forma sistemática é e acessível é algo complicado. O ponto é que para compreender o atual estado político das coisas, é crucial compreender o Comunismo e o Socialismo (já boiando de alguma forma, em teóricos franceses da Revolução Industrial e do Sindicalismo). A obra do sujeito é vasta (e por incrível que pareça, pelo número de marxistas e esquerdistas existentes, pouco lida… sério, pude constatar isto mesmo entre professores Comunistas nos departamentos de Humanas que frequentei e frequento) e leva um tempo danado e disposição (espero que tenham mais que eu) para lê-la. Sugiro começar pelos Manuscritos Econômicos-Filosóficos, Manifesto Comunista e Salário, Preço e Lucro. O ponto é que hoje, é igualmente importante ler as derivações do Marxismo, (estranhamente, em grande parte, filo-judaica, ou sionista) como as teorias da Escola de Frankfurt, etc. O pano de fundo de muita coisa “rebelde” que aconteceu na segunda metade do século XX, do Ateísmo Existencialista, ao Feminismo, à Revolução dos Costumes, Pacifismo Hippie-Drogas, etc. E o quanto que isto veio a baila – subterrânea e, às vezes, fragmentariamente – no Neopaganismo e New Age, não preciso nem dizer. Muita coisa, pode não estar diretamente ligada a Karl Marx, como coisas do tipo Microfísica do Poder de Michel Foucault, ou mesmo contrapôr-se à ele, mas o tem como uma referência de algum modo.
  • Há um caldo de textos díspares entre si, mas com elementos que podem ser tomados em comum num sentido prático, de vários pensadores do final do séc. XIX e começo do séc. XX. Nietzsche, Thoreau, etc. cuja importância para o Neopaganismo ainda não fora avaliada adequadamente. Neste caldo, será colocado ou extraído, dependendo das preferências ideológicas, literaturas diversas, de Évola a Heidegger, de Huxley a Mircea Eliade, de Guénon a Capra, etc.
  • Para os pagãos que pretendem entender boa parte dos desenvolvimentos de “Centro” dos últimos 30 anos (de Centro-Esquerda e/ou Centro-Direita), de caráter  um tanto quanto liberal-socialista, recomendo dois clássicos modernos: John Rawls. Uma Teoria da Justiça e Robert Nozick. Anarquia, Estado e Utopia.
  • Hans Jonas. Princípio Responsabilidade. Apesar de minha reserva com o autor (filho de um ativo sionista), considero este um dos textos mais fundamentais em política para os de religião Indo-europeia hodiernamente. Aqui é resgatado a imbricação ética-política e fundamentada grande parte da noção realmente Verde – e não Melancia (“verde por fora, vermelho por dentro”) que permite repensar e adaptar sistemas políticos e éticos com demandas ambientalistas justas (nada de hippismo-cannabico-verdista-porra-louca) e para nós, permite repensar a relação dos processos sociais de produção com os teologicamente imanentes – sem contar, pois, a crítica ao Marxismo/Comunismo (de um ponto de vista ambientalista/ecológico) presente neste texto é das mais devastadoras que vi, se não a mais (há uma crítica do Liberalismo-Econômico também, mas com beeeem menos impacto). Sem contar que o texto passa em revista boa parte das visões éticas da Filosofia e suas implicações com o Ambiente, apesar de que por isto, o texto requer do leitor um bom conjunto de conhecimentos prévios da tradição filosófica para uma compreensão efetiva. Obviamente que de um ponto de vista Tradicionalista pagão, o texto tem lá seus problemas, mas são poucos se comparado a que dá para reflexão. O texto é de 1979 e impressiona o leitor moderno em algumas de suas suposições, que terminaram se conformando.

Enfim, sugerir bem mais textos, mas isto me parece razoável para um começo e indicação num blogue. Resta tratar a literatura propriamente sobre Mitologia Comparada e cultura Proto-indo-europeia. Há muita coisa na internet, grátis, leitores. Muita mesmo. Como há porcarias lixos diversos, daí que a informação precisa é a chave em tempos internéticos como esse que vivemos, uma palavra, pode levar-te as fontes boas ou afastar-te delas, numa mar de brumas confusas e dispersão mental.

Inté!

Novidades rápidas

Saudações.

  • 30 dias druídicos.

Bem, ao contrário do que havia dito aqui, resolvi mudar de ideia (na verdade cedi a um argumento) e criei um blog exclusivo para escrever os 30 dias. Será um blog apenas para os 30 dias e mais nada, depois de escritos, será mantido como um livro numa estante. Meu tempo está realmente curto, tanto que aquele sentimento de que devia ter melhor pensando antes de comprometer-me, já que isto afeta diretamente a qualidade dos textos (e principalmente na proposta que recebi…), rondou-me esta semana. Mas enfim, “fez a cama, agora deita!”

  • V ENCPBNP.

A quinta edição do Encontro Parahybano de Neopaganismo está, finalmente, andando. A propósito, como já divulgado via e-mail para muitos, eu deixei de fazer parte da organização (mesmo sendo um dos fundadores – o outro, coincidência ou não, também afastou-se) do dito evento por divergências metodológicas com os organizadores atuais. Em todo caso, a programação está sendo fechada e o evento promete. Fica atento pois, e informa-te com os organizadores!

  • ESP©-PB, agora de fato!

Agora sim, oficialmente, há Encontro Social Pagão na Parahyba. Quem está respondendo pela coordenação estadual é, basicamente, Paulo “Menvos Magios” (menuosmagios@gmail.com) e Kátia Santos (katiadacostasantos@gmail.com). Fica atento para o calendário de atividades. A propósito, este mês teremos:

ESP©-PB: “PAGANISMO E A CURA DA MÃE-TERRA” pela nossa querida xamã Yatamalo Marise Dantas.

Local: Taba da Águia

http://maps.google.com.br/maps/ms?ll=-7.103001,-34.852839&spn=0.009071,0.013797&t=m&z=16&vpsrc=6&msa=0&msid=200199920418213640935.0004b67e6bdb72c7cf5da&iwloc=0004b67e734dfb48a319a
Visualizar Taba da Águia em um mapa maior

Endereço: Cônego Luiz Gonzaga 551, Bairro dos Estados. João Pessoa – Paraíba – Brasil – 58030-212

A propósito, é importante, como bem frisou a organização, respeitar os horários. Para os que não querem ir direto ao local, um grupo de pessoas ficou de se encontrar na Av. Epitácio Pessoa, na parada de ônibus próxima à Auto Escola Rainha da Paz e um posto de gasolina até as 14:30h, para ida conjunta à Taba da Águia. Para mais informações, entra em contato com os organizadores pelos e-mails acima apresentados.

É isso, avante!

Mais Edda em português

Saudações.

Há tempos que rareou a disponibilidade para traduzir os poemas da Edda poética. Felizmente alguém (agorinha) passou-me um link para um conjunto de traduções de alguns poemas que penso serem úteis aos navegantes nordistas que por estas paragens aportarem, e senti-me no dever de vir cá postar, ei-lo:

http://www.4shared.com/dir/9612622/1000126a/sharing.html

Há traduções de poemas que postei aqui também (minhas traduções, as mais antigas totalmente baseadas na tradução inglesa – ou seja, tradução de tradução – as mais recentes, tive o trabalho de ver algo do nórdico antigo, já que estava pensando levar a sério estudar algo da língua), que suspeito sem medo de errar que estão melhores que a minha tradução. Então, é ir conferir!!!

Depois do Solstício…

Saudações.

Interessante como as chuvas do caju (as primeiras chuvas regulares, de fato, no verão) aqui em minha biorregião deixaram o clima agradável. De um frescor silvestre chamativo – que logo em seres rurais, como eu, convida para um embrenhamento pelas serras e campos. Este é um prazer indescritível, diria “místico” (no sentido de não poder ser expresso adequadamente em palavras) que desde minha infância faz-se presente. Mas vim aqui hoje – ainda rapidinho, infelizmente, tive retardos e atrasos em minha vida pessoal que estou terminando de “pagar” ainda, pois adiou parte de minhas férias neste final de ano civil – para compartilhar algumas novas.

  • Celebrações pelas terras da Parahyba.

O castro da parahyba celebrou um rito simples e doméstico em honra do solstício (para fotos, clica aqui) nas cercanias de Campina Grande, assim como o pessoal da HEX-ACBNB celebrou na capital o Litha wiccan (ainda no aguardo de fotos). Muitos pagãos solitários e mesmo grupos celebraram seus ritos pelo estado adentro. É bom lembrar que tais celebrações são momentos, além de espirituais, culturais em que mais gente (não só pagãos de fato, mas simpatizantes em geral) pode (e até deve) estar envolvida, seja para o reforço da identidade, laços de solidariedade, confraternização e restauração tradicional – e isto é feito de modo ativo, aqui e agora, é arregaçando as mangas que se põe a causa em moção e não só no discurso bem articuladinho.

Corno de batalha chamando os guerreiros
É necessário ouvir o chamado do chifre de batalha para a reunião com os deuses nos cimo dos montes, nas pedras antigas ou nas matas santas – e sair do comodismo moderno e do virtualismo exagerado

  • Informes.

Planejo retomar, assim que o tempo folgar mais, os escritos do Adversus Monotheismos como visto antes. Além de que me escalei para os 30 dias druídicos (iniciados pelo druida Endovelicon), logo após o bardo Wallace e utilizarei este blog para isto (as vezes penso que deveria ter um blog realmente pessoal, onde pudesse falar de questões políticas e ecológicas do meu estado e município, além de minhas divagações gerais – mas isto requer um tempo que teria de ser subtraído da vida “real” para ser adicionado a vida “virtual” – e é óbvio e natural que se priorize o real!). Outra coisa importante a notar, e isto de fato o é para a comunidade politeísta local, é que faltam apenas 2 meses para o Encontro Paraibano de Neopaganismo…

Saudações!

Com tem sido nestes meses, rapidinho, atualizando as novas.

  • Celebrações do Solstício de Verão pela Parahyba.

Na capital, a HEX-ACBNB está organizando uma celebração Wiccan para a data (na Wicca é chamada de Litha ou pelo termo inglês Midsummer), sendo o ponto de encontro na R. Emmaneul Lisboa de Lucena, nº 622 em Mangabeira IV, às 09:30h do dia 21/12/2011. Para mais informações vide o folder abaixo.

Folder do Litha na Capital

Já nas cercanias de Campina Grande, o Castro dos Brigaecoi estará realizando um rito iberocéltico (ou como preferem alguns, “hispanocéltico”) simples no próximo 23/12/2011 e ainda não divulgaram exatamente o local e horário.

Fora estes anúncios públicos, provavelmente estará ocorrendo algo de celebração religiosa entre Helenistas, outros Wiccans e demais pagãos, sem contar algo entre os Xamanistas locais. Daí é procurar um grupo religioso próximo ou realizar tu mesmo teu rito, simples ou complexo, em casa ou fora. Como festa temática no Solstício de Verão, estará ocorrendo no próximo 22/12/2011 no Vitrola Bar em Campina Grande, uma noite de música pagã (Pagan Folk, Neofolk, Darkwave, Tribal, Ambient, Folk Metal, etc.) como posto no folder abaixo:

22-12-2011 Noite do Solstício

  • Mais um encontro Pagão na Capital, caminhando para a organização do ESP-PB.

Divulgado nas comunidades do Orkut pelo sr. Menuos Magios e divulgamos aqui:

Aos de João Pessoa e vizinhança.
Aproveito para informar que neste sábado 17/12 teremos um encontro no modelo do ESP e uma palestra com um de seus organizadores. A priori, o local será o Pátio do Hotel Globo, às 14:00. (…) Conto com vocês! Qualquer duvida ou esclarecimento, podem me contactar através do : pmalbec33@hotmail.com Forte abraço!

E claro, reforçamos o convite. Caso não possas participar, pelo menos ajuda na divulgação pelas tuas redes e círculos sociais.

Inté!

Bandeiras, bandeiras…

Rapidinho, só compartilhando dois arquivos que estavam aqui:

(obs: para esclarecer, o uso de uma cruz-celta, cruz-circular, roda solar, etc. – este símbolo de um círculo com uma cruz ao centro -como símbolo geral da religiosidade Indoeuropeia não é adoção minha, nem tem relação com radicais arianistas, ou coisa do tipo: é um símbolo realmente ancestral e Indoeuropeu, presente na simbologia religiosa antiga e fora utilizado por um bom tempo como tal no artigo da Wikipédia sobre o revival das religiões IE – acabei de ver que o Wkipédia não mais utiliza o símbolo, o que não diminui sua representatividade; para entender melhor alguns contextos históricos das bandeiras recomendo este site).

Geoctroyerde Westindiche Compagnie

Bandeira da época da Companhia das Índias Ocidentais, quando a Parahyba foi parte da Holanda (nesta, não modificamos nada).

Iohan Maurits van Nassau Catzelnbogen Vianden en Dietz

Ainda sob o domínio Holandês, bandeira utilizada na época do governo de Maurício de Nassau (também não modificamos nada).

Versão pagã da Bandeira da CCPEPBBandeira da época da Companhia geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba, pós-domínio Holandês quando voltamos a ser parte de Portugal – apesar do dito (“que luza para todos”) foram tempos sombrios, em que perdemos nossa autonomia enquanto capitania e fomos incorporados a PE.

Bandeira Parahybana Separatista de 1817Versão pagã da bandeira da Parahyba como estado independente no movimento separatista da Revolução Pernambucana de 1817. As três estrelas acima representam justamente os três estados do então novo país: Rio Grande do Norte, nós e Pernambuco. No meu ver, esta bandeira seria bem mais preferível que a atualmente defendida pelo pessoal apologista do Nordeste Independente atualmente.

Versão pagã da bandeira do movimento separatista de 1922Aqui já temos a versão da Confederação do Equador de 1924, no movimento separatista do que já era Brasil – esta bandeira tem um simbolismo interessante e é ilustrativo o poder egrégio de alguns elementos presentes, que por mais que tivessem parte de seus significados antigos ignorados pelos aderentes contemporâneos, projeto ainda os ecos do passado: como o caso da “mão da justiça” acima… Qual pagão a vê e não lembra do deus Nuadu dos celtas gaélicos (e provavelmente de Nodons dos britânicos e gauleses, como de Netus dos ibercocélticos) ou de Tyr  dos escandinavos (Tiwaz dos germânicos)?

Bandeira que fora hasteada em navios parahybanos, tida, pois, como uma bandeira provincial (que provavelmente remonte a época do Império) utilizada ainda no Reino do Brasil (nesta não modificamos nada).

Bandeira Indoeuropeia da Parahyba!Versão pagã de nossa primeira bandeira, de fato, oficial. Já comentamos sobre ela suficientemente.

Bandeira da Paraíba Pagã!Versão da atual bandeira do estado.

Tu, parahybano pagão, utiliza-as em teu blog, site, etc!

Saudações.

Vindo rapidinho. Apesar da crescente clarificação da história das religiões ocidentais e da imposição à ferro do cristianismo a Europa, até mesmo do reconhecimento do atual papa dos católicos disto (considerações sobre aqui), muitos politeístas de matriz indo-europeia persistem na armadilha da oposição completa de valores que os cristãos armaram a muito tempo, acreditando que todo valor moral cristão é necessariamente um antivalor moral pagão. O grande erro é não perceber que uma parte (pequena) dos valores cristãos são empréstimos pagãos. O maior exemplo disto, é a defesa da Família (tão apregoado aí pelos partidos políticos cristãos hoje, como o PSC). A importância política e metafísica da unidade tribal e clânica está bem defendida filosoficamente desde a Política de Aristóteles e atestada em toda a literatura indo-europeia. Por outro lado, são simplesmente, NULAS as passagens em que o próprio defunto carpinteiro judeu dos cristãos exorta e defende a família. Além do exemplo próprio (ele mesmo não ter constituído família). As únicas passagens em que isto é feito na Bíblia, são ou do Antigo Testamento (e portanto, mais judaicas do que cristãs de fato) ou das cartas de Paulo e da tradição posterior (qualquer um que leu o Anticristo de Nietzsche ou apenas tem bom senso histórico quanto ao contexto e propósito geral destas). O leitor que desconfiar, procure, leia honesta e atentamente.

No geral, coisas deste tipo – de pagãos enchendo a boca para falarem mal de valores que acreditam que sejam APENAS cristãos – são fruto da ignorância e alienação, além da porralouquice de muitos que confundem valores da revolução dos costumes pós-60 (junkies, feminismo, existencialistas, hippies, punks, etc.) com valores tradicionais indo-europeus, entre outras coisas. Que haja alguns pontos concordes, é realmente muito provável, mas a confusão é a respeito de totalidades, não de pontos isolados. Outro ponto que colabora, é a estupendamente impressionante ignorância dos cristãos em relação a própria história religiosa, que ajuda a ver como “cristãs” práticas, símbolos e concepções que de cristãs não têm nada. Isto é-nos útil por ajudar na preservação de certa herança pagã para o povão coberta com um véu (muitas vezes, muito fino) de cristandade, de modo a que isto facilite uma posterior repaganização. No entanto, visando ajudar a melhor entender isto, o processo de cristianização (e de absorção, rejeição, etc. de práticas, valores, estruturas, etc.), trago três livros que considero importantes para os politeístas de hoje (e mesmo para cristãos desinformados que pararem neste blog) e que aponto a meus conterrâneos. Poderia indicar muitos mais, mas apresento estes apenas por ter links de versões pdf dos mesmos (mesmo no artigo da Wikipédia a respeito, há indicações boas). Ei-los, então:

O primeiro texto é útil para fazer notar que mesmo entre as seitas cristãs protestantes (que consideram-se mais puras das práticas e concepções pagãs) há muita coisa a apontar. O segundo é um tipo de debate entre dois pensadores considerados da atualidade e o último é um estudo histórico interessante. No geral, este textos podem ser úteis para levantar-se os muros nos devidos lugares. Uma ótima leitura e reflexão, e a frente com nossa causa sagrada e sob os auspícios dos deuses.

Inté!

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